domingo, 5 de setembro de 2021

Desabafos sobre mentalidade de massa, misantropia, desinformação e "tô caindo fora" .

O post de hoje foi patrocinado pela "força do ódio". Não, mentira. (meio mentira.) 

Como bem sabem, sumi daqui faz anos. O motivo: ando ocupada resumidamente, pobre tem é que trabalhar, só tive tempo hoje por causa do feriadão daqui. Mas é claro que este não é o único motivo. É claro que o principal motivo é que eu me sinto boiando em um ovo cru e fedido em muitas vezes em que tento interagir com os poucos fãs de anime/mangá no Brasil e etc. Menos porque são tão poucos em volume e mais porque, especialmente depois dos anos 2010, além de terem diminuído em número passaram a ser informados por alguns poucos veículos (leia-se blogs) especializados (pfft) e tem muita gente espalhando desinformação com ares de verdade e tal . Obviamente, eu fiz o blog em uma certa época (2013 ... uau ... ; ; ) porque tweets não eram o bastante para falar sobre alguns assuntos - especialmente os polêmicos - e poder escrever longamente sobre coisas que importam; para mim, foi muito catártico e gostoso por um tempo. Mas, enfim, eu sigo sendo só uma (01) pessoa pouco sociável e o mundo segue rodando como ele sempre rodou (= de um jeito que detesto) e em determinado momento cansei de tentar racionalizar com as pessoas e resolvi que "acredita no que você quiser" e penso desta forma mesmo. 

Por outro lado, tem coisas que rejeito. Leia-se: grosseria gratuita. Eu sou bem grossa na zoeira mas, a menos que você seja um misógino desgraçado da cabeça, a chance de eu te dar block é, bem, nenhuma. Feliz ou infelizmente. Para detrimento da minha saúde mental eu sou democrática e do diálogo e procuro ouvir e ser tolerante, às vezes até contra minha natureza/vontade.  

Pois bem. Ando sumida mas, como já comentei, continuo gostando de coisas e volta e meia estou no Twitter e comento alguma coisa, ou vejo uma live de algum lançamento, etc. E se tem uma coisa com a qual me deparo com frequência neste meio é: grosseria gratuita. Veja bem, eu estou acostumada com isso - se é uma coisa NeRdEh, terá grosseria gratuita! Se americanos gostam: mais ainda. - mas felizmente "acostumar" não significa "dessensibilizar" para isto. Estou acostumada, mas não deixo de ficar negativamente surpresa e procurar não fazer o mesmo, felizmente rs.

O que me impulsionou a escrever esta postagem foram umas situações que eu vivenciei no Twitter neste ano. As duas, de alguma forma, diziam respeito a mangás shoujosei e BL/GL etc. Como... qualquer um que ler os arquivos do meu blog sabe, gosto dessas coisas! (Quer dizer, não tenho lido tanto mangá mas em algum momento gostei bastante.) Então nas duas ocasiões eu fui comentar algo em algum tweet do tipo "olha, essa informação está um pouco errada, por favor pense sobre isto e comente algo sobre para eu não achar que você só está sendo mal intencionado!" e recebi uns "senta lá Cláudia" e fiquei com aquilo entalado na garganta de "não concordo com você mas sou prolixa e nerd demais para 180 caracteres então deixa pra lá". (aliás, a outra era naquela postagem sobre Full Metal Alchemist ser fascista KK.)

Mas como essas situações ficam se repetindo e gosto desses assuntos e sinto coisas demais com eles, resolvi escrever uma postagem final neste blog para dizer simultaneamente: por que sumi, o que tenho feito, fazer mais um "desabafo catártico" no estilo das minhas postagens de antigamente e me despedir daqui. Não quero dizer "eu sou uma expert" porque eu sou uma fã que não trabalha com isto e nunca ganhou um centavo com isto e nem pretende ganhar, mas sou uma apaixonada afinal. Quero deixar bem claro também que não é shade para ninguém, mas preciso falar sobre coisas para me acalmar porque se não fica na minha cabeça que "oh não sou uma pessoa horrível pois não interpretaram bem o que eu quis dizer!" como qualquer pessoa decente pode sentir etc. Tem, principalmente, o fato de que eu não escrevo aqui há muito tempo então suponho que não tenha muita chance de alguém muito jovem ou muito novo nesse animanga game me ler e entender tudo errado também. 

 

Vamos em ordem cronológica. A primeira postagem que me aviltou foi uma que considerava a Newpop uma "editora menor" para shoujosei (juro). Como alguém que não compra mangá da outras editoras há anos, faz questão de comprar tudo dela e gosta exatamente de shoujosei ... er. Algo bem profundo em mim discordou daquilo. Então eu respondi, falando que a pessoa estava provavelmente focando em "títulos longos populares" e desconsiderando o número de títulos, o fato de a NP ser uma editora mais recente (logo, que pegou um mercado mais saturado) e $$$menor$$$ (logo, de títulos mais curtos em geral - e menos volumes lançados em japonês significa... menos volumes lançados em português! que foi uma coisa que o autor do tópico considerou na estatística) que Panini e JBC mas proporcionalmente ter feito muito mais pelo shoujosei na minha opinião e, enfim, sua relevância inegável no assunto "obras com público alvo feminino" indo além do assunto do tópico. A resposta, basicamente, foi com teor de que "BL e GL não são shoujosei" (o que é verdade, mas meu ponto era literalmente que "são obras voltadas para um público feminino" e eu devia ter sacado os ânimos ali) e a pessoa seguiu desconsiderando... os fatos que eu coloquei.

O catálogo de shoujosei da Newpop não é absurdamente grande, mas está longe de ser pequeno afinal. E posso te garantir que a Newpop nunca me deu nada (além do que me deu: um monte de obras BL legais traduzidas oficialmente para a minha língua!!!) e esse meu jabá é totalmente gratuito. Mas, vejam o catálogo da editora . De shoujo, a editora tem Heart no Kuni no Alice, Amar e Ser Amado, Cafe Kichijouji, No. 6 além de Os Filhos de Safiri e Prelúdio do Arco Íris que são clássicos do Tezuka (e fui legal com a concorrência ao desconsiderar O Homem de Muitas Faces que é CLAMP e é shoujo, mas é Newtype então relevei). De Josei tem Helter Skelter e Loveless sim, mas também Shinshoku KiSS, Made in Heaven, A Pessoa Amada, Shunkaden e Usagi Drop (que antes que alguém venha falar alguma coisa de "pedofilia kkk falso josei kkk", lembre: Honey & Clover ...).

Apesar de poder parecer pouco, isto é porque a vasta maioria das obras da editora não se encaixa em demografias como "shoujo" ou "seinen" por motivos simples: 1) são de nacionalidades outras (coreanas, americanas, etc.) que não usam estas categorias por não serem serializados em revistas - ainda que possam eventualmente ter características destas categorias (vide os manhwas Tarot Café e Arkangels que são como "shoujos honoráveis" ou os de autores brasileiros como Zucker etc.) ou 2) são novels lançadas individualmente - e nisto incluimos obras bem longas da editora, de Madoka Magica a NGNL a Log Horizon a No. 6 (quero mais.) a Record of Lodoss War (UHU!) a Fireworks a (etc. etc. ...) que são histórias com um alcance enorme.

Outro detalhe importante é que a editora publica muitas obras de revistas que não se encaixam em demografias de uma forma tão tradicional - revistas como a Dengeki Daioh (shounenzona de séries como Toradora!, Shakugan no Shana e Azumanga Daioh, mas também Yotsubato!, Yagate Kimi ni Naru e Adachi to Shimamura para não citar o Melhor Harém OtoBoku ...) e a Comic Birz (de séries como Drug-On, Red Garden, Kanpai, Otome Youkai Zakuro, Yuri Kuma Arashi, Konohana Kitan, Roman Gousha, Kimi wo Mukae ni, More Than Words-- oops!) . De fato, a maioria daquela obras da editora que não se encaixam em um extremo de fanservice ou outro tendem a ser histórias sem clichês de demografia muito evidentes que acabam atraindo fanbases bem mistas (aquele tipo de história que tratei nesta postagem aqui uns seis anos atrás, lembra, aquela que falava sobre mulheres curtirem mecha - um dos "temas" em que considero pessoalmente que a Newpop se destaca, aliás, junto com romance e horror). Para citar algumas: Made in Abyss, Kotonoha no Niwa, Fumetsu no Anata, Gate 7, e por que não Space Battleship Yamato, Napping Princess, Kanojo to Kanojo no Neko etc. 

Além destes, há nada menos que 19 BLs e 5 GLs no catálogo da editora (sem contar em GL títulos como o spin-off Battle Royale: Angels’s Border ou em BL títulos como os spin-offs K: Side Blue ou Gravitation Blue e Gravitation Red). Em observação, estes números foram o que eu consegui contar batendo o olho, desculpa à editora se esqueci algum título! 

Então, sim, dizer que a Newpop só publica BL e GL é um desserviço absurdo - especialmente se considerarmos que publicaram menos GL (5) do que shoujo (6) e josei (7) e que esses "7" em "josei" corresponde a mais do que qualquer outra editora brasileira rs (fonte - esta fonte ainda considera como josei Joy que registrei na contagem em BL mas enfim...) assim como também correspondem esses 5 GL aliás - e o mais engraçado disso é que seis anos atrás (já era única editora que prestava e) a gente tinha que fazer textão para falar que "romance não é sinônimo de shoujo!", agora a gente tem que fazer textão para falar que a editora que mais publica "romances (inclusos homossexuais) voltados para o público feminino" é relevante para os fãs de shoujo - porra, vão se fuder ?? assumam logo que vocês são vendidos e odeiam a gente. 



Mas como não só de ódio da indústria se faz a misantropia - o segundo ponto que queria tratar nesta postagem foi da outra coisa que realmente me levou a escrever aqui. Tudo começou com um "masterpost" sobre yuri no Twitter que eu achei a princípio bem legal e até agradeci por ser tão informativo, mas tinha um pequeno detalhe meio confuso ao meu ver: o entendimento de que existe yuri publicado como shounen mas não BL publicado em revista não-BL (juro, e digo "juro" como quem acabou de falar que Joy - publicado nacionalmente pela Newpop - é "BL/Josei" inclusive porque a revista é josei e a Chill Chill categoriza como BL rs). Como meu departamento é BL e não GL só fiz a observação de que isso não era muito verdade e ponto. 

Depois, fiz 1 comentário (casual e desnecessário, que na minha cabeça era basicamente um "é isto? me corrige se não for?" mas depois notei que foi mal interpretado - em particular porque eu usei a palavra "fetichista" que eu uso quase que cotidianamente porque *gasp* sou formada em psicologia e o Brasil é psicanalista num nível absurdo e meu TCC foi literalmente sobre "fetiche da mercadoria" e para mim é uma palavra inócua e para quem ainda não percebeu, prazer, sou uma prolixa de merda...) sobre meu desconhecimento sobre QUE conotação (e aí tem mil respostas, não apenas o binário "ruim" ou "bom" ou qualquer outro binário...) estão atribuindo ao termo "yuri" atualmente nos fandoms japoneses, uma vez que 1) nos lugares que eu frequento (= fanworks fem/slash) preferem usar "GL" e 2) os termos mudam muito de significado (e sabidamente hoje em dia tem muito dudebro yurifag que romantiza/fetichiza "lolis moe lésbicas peladas sofrendo vai" de jeitos que não tem muito a ver com o sentido original de yuri/百合 e que poderia ter tornado o termo ofensivo para algumas mulheres homossexuais assim como BL pode ofender alguns homens homossexuais - eu não saberia porque não frequento fandoms de yuri manga). Beleza, foi um parênteses em um comentário que era estritamente sobre BL e ainda esclareci depois que era uma observação e não uma correção. 

Automaticamente, fui respondida com a seguinte colocação: de que BL publicado em revista não-BL simplesmente não é BL e que eu poderia me informar melhor em site tal porque ali não era sobre BL (juro). (NÃO fui respondida com um comentário babaca que só vi depois, mas tudo bem.) 

Daí eu perguntei: certo, e onde Gravitation se encaixa nisto? Me responderam: "shoujo!" Certo. É shoujo - foi exatamente o que eu disse antes. Mas no que isto impede de ser BL afinal? Questionei: É porque o termo BL adquiriu uma conotação tão negativa assim?! (o que eu não sabia, já que nos fandoms de games etc. que eu frequento é bem OK usar BL para qualquer fanwork com este teor). A resposta: não, é porque é assim que o Chill Chill e as lojas categorizam (com ares de "anda, Cláudia").  

Fiquei meio contrariada (porque na cultura popular japonesa existe um entendimento do que é BL e, bom, Gravitation se encaixa nele assim como várias outras obras antiguinhas publicadas em revistas shoujo e a gente já falou aqui sobre demografias e revistas e a besteira que é associar demografias a temas e tal.) mas deixei para lá, né, não queria treta (literalmente tenho mais o que fazer colegas). Mas algo visceral em mim sabia que alguma coisa naquela explicação (tão radical e com tons de "deixa te ensinar...") não estava batendo com base no pouco que eu conheço como fã que sou, e fui pesquisar até para me informar (feriado, uma bênção)

Moral da história? Bom, esta história tem várias morais. A mais importante delas é que vieram com grosseria gratuita para cima de mim porque sou uma zé ninguém e o Twitter se baseia em grosseria gratuita e "ratio" e adolescentes revoltados com pouca merda - foi literalmente este o ponto que eu trouxe nos primeiros parágrafos da minha postagem, saco cheio de grosseria gratuita. "Gratuita" porque minha visão 1) não era preconceituosa ou ofensiva de qualquer maneira, 2) e tinha um fundo de verdade muito evidente e é sobre ele que eu quero postar aqui (também). Pronto. Tirei do meu coração. (Ainda tem um pouquinho de mágoa e rancor aqui, mas esse pouquinho vai ficar.) 

Agora, vamos para o fundo de verdade. 

Disclaimer importante: o fundo de verdade não vem embasado em nenhuma leitura acadêmica nem nada do tipo, tá? Vem embasado unicamente em uma pesquisa muito besta que acabei fazendo para entender onde errei e onde acertei (já que nenhum dos militantes se deu ao trabalho de explicar ao menos isto...) e o que posso disseminar e o que não posso, e, uh, meu "currículo" de "15 anos sendo nerd e fã de BL" acho rs. 

Como a base do argumento sobre "o que é BL e o que não é?" eram o Chill Chill e falas de autoras, fui procurar, bem, falas de autoras e o que dizia o Chill Chill sobre obras diversas. 

Sabidamente, o BL se originou sem este nome, blabla 24nengumi, blabla publicados em revistas shoujo até que nos anos 90 surge a Be x Boy blabla e blá. Então, sim, eram publicados em revistas shoujo inicialmente. E com "inicialmente" eu quero dizer que alguns dos títulos mais populares entre os fãs (ao menos estrangeiros) de BL nos anos 90 como Gravitation / Yami no Matsuei / Loveless foram publicados em revistas shoujo ou josei (fora as séries publicadas na Be x Boy como Kizuna e FAKE ou novels como Ai no Kusabi). E o que a Chill Chill tem a dizer sobre estes títulos? Bem, Loveless está marcado lá como não-BL (非BL), e Yami no Matsuei (闇の末裔) nem aparece na pesquisa. Mas Gravitation (グラビテーション) aparece sem nenhuma observação, como qualquer BL ... ué? 

Tudo bem, vamos por partes.

Sobre nem aparecer na pesquisa, ou aparecer como BL (ou seja, sem tag de "非BL"/"não-BL") ou ainda como não-BL - fiz mais algumas pesquisas para entender os porquês do que aparece e do que não aparece. Vale adiantar que o site nos traz a seguinte descrição:        

非BL作品
男性同士がメイン、かつBL作家さんによる作品を中心といたします。男女作品、TSモノ(トランスセクシャル)で男女描写がメインと作品は基本的に情報登録とレビューはできません。    

Então, podemos resumir assim: a definição do Chill Chill de "não-BL" são obras com protagonistas masculinos, geralmente escritas por autores de BL consagrados.  

Certo, faz sentido. Shouwa Genroku Rakugo Shinjuu (昭和元禄落語心中) (comentários) aparece consistentemente como não-BL no website afinal. Tem protagonistas masculinos (apesar de ter personagem femininas importantíssimas) e a autora é consagrada por BL - até aí, beleza. Por outro lado, algumas obras que nem aparecem são Haikyuu!! (comentários), Ookiku Furikabutte (comentários), Prince of Tennis. Até aí, beleza também - são obras com protagonistas masculinos, para demografias masculinas, apesar das grandes fanbases femininas, de autores que não escrevem BL usualmente e que não tem nenhum ar de romance nelas (ou quase). 

Até aí tudo bem, mas logo piora. 

De velho, sei que Saint Beast (セイントビースト) aparece na pesquisa como não-BL (obrigada à Chill Chill por me mostrar quais CDs de Saint Beast existiam para eu pir--). É uma obra inegavelmente shoujo, apesar de, hã... coisas. Tipo o fato de que é sobre "(um monte de) divindades (convenientemente masculinas e com vozes de seiyuu de BL populares da época) se sentirem misteriosamente atraídas umas pelas outras". No sentido platônico, claro. Tudo subtexto. 

よくBL作品と思われがちだが、製作側はあくまで一般作と主張。(fonte

Brincadeiras à parte (AMO ESSA SÉRIE), até aí, tá tranquilo. Então os fãs acham que é BL mas aí a produção diz que não é BL e pronto, tá certo. É a mesma lógica das demografias basicamente... Né? 

Falando em mais algumas séries semi-obscuras - Marginal Prince (マージナルプリンス) (comentários) era originalmente um otome game para celular no qual a protagonista conversava pelo celular com os amigos do irmão dela, da escola masculina, e esta história conveniente deu origem a alguns spin-offs com implicações de BL que se passava na tal escola masculina, protagonizados pelo tal do irmão - anime e novels. Assisti o anime, não tem absolutamente nada de BL (ou: não mais que qualquer anime apenas vagamente shippável), não tenho ideia se as novels seguem a mesma linha ou não, mas pesquisando variedades dos nomes das novels em japonês seguidos de "BL" na internet não achei absolutamente nada que sugerissem que tem BL explícito nas novels - mas adivinha? Não está marcado como "não-BL" na Chill Chill. É tudo BL (segundo a Chill Chill) assim como, hã, um Gakuen Heaven (学園ヘヴン) da vida.   

Assim como, aliás, Gravitation (comentários) - nenhuma tag de "não-BL" em nenhum dos volumes do mangá (que na minha cabeça é... shoujo de comédia). Aliás, assim como Seikimatsu Darling (世紀末★ダーリン) (comentários) , outro consagrado BL publicado na, hã, na KIRARA 16 (shoujo!). Mas enfim, são mangás antigos, dos anos 90 - então elas eram consideradas séries BL mesmo se publicadas em revistas não-BL? Bem, de fato, séries um pouco mais recentes publicadas em revistas não-BL como Loveless (comentários) e UraBoku (裏切りは僕の名前を知っている) constam como não-BL de forma consistente, apesar de que eu consigo ver por que nenhum dos dois é muito BL afinal. Por outro lado, as séries do 24nengumi que eu pesquisei (Thomas no Shinzou, 11nin Iru, Kaze to Ki no Uta) também constam de forma consistente como não-BL. Hanazakari no Niwa (花の庭) aparece consistentemente como BL enquanto Koko wa Greenwood (ここはグリーン・ウッド), BANANA FISH, Zetsuai (絶愛) e Golden Days (ゴールデン・デイズ) aparecem consistentemente como não-BL e enquanto CIPHER e Himitsu ( 秘密 -トップ·シークレット-) (comentários) ... não são dignos nem desta menção honrosa. Nem Daten no Tsuki (堕天の月) aparece no catálogo da Chill Chill aliás, apesar de toda a série Full Moon ni Sasayaite (FULLMOONにささやいて) ser considerada BL (piada pronta) . Aliás, outro shoujo de comédia publicado por aqui mas que não mereceu nem menção honrosa: Princess Princess (プリンセスプリンセス) (comentários). 

Estranhando a total ausência de Princess Princess (se passa em escola masculina como Gakuen Heaven e Marginal Prince; praticamente não tem personagens femininos; a autora criou Love Stage (comentários) entre outras dezenas de BL e fez até doujinshi yaoi "oficial" desta série pelamor! Aquele beijo dos protagonistas não era meme!) fui pesquisar pelo nome da autora (つだみきよ) e adivinhem: não tem mesmo no Chill Chill ... diferentemente de Kakumei no Hi (革命の日). Kakumei no Hi é um mangá (também publicado na revista shoujo Wings, de Princess Princess e também de RG Veda, Earthian, Antique Bakery, Café Kichijouji, Tokyo Babylon e Princess Ai, dentre outros ...) sobre, hã, uma garota (MtF) - sim, protagonista feminina - que se apaixona por um garoto - sim, é um shoujo de romance heterossexual... que consta (como "não-BL" naturalmente) no Chill Chill afinal... sei lá. 

Ainda por outro lado, os tankobon de New York New York (ニューヨーク・ニューヨーク) (de 1998) constam como "não-BL" na versão do lançamento... e como BL na versão do relançamento (de 2003). Mesmo autor e mesma obra. ("E afinal, NYNY é BL ou não?" então, depende . Mas é bom! ) 

Ué. 

Aliás, Ai no Kusabi (間の楔) (comentários) (gaaaaay.jpg, amo.) também consta consistentemente como BL - exceto pelo primeiro drama CD . O complicado desta história é que este drama CD foi relançado em 2000 ... e o de 2000 não tem tag de "não-BL". 

No final das contas, de tanto pesquisar, acabei achando este bonito tweet: "obras BL serializadas em revistas não-BL". Ué, se não existe obra BL serializada em revista não-BL quem postou está mal informado, né? 

Vai ver que Chill Chill errou apesar de ser supostamente a referência para chamar de BL apenas obras publicadas em revista BL rs. Tá mal informado este site, usando "BL" para qualquer coisa

A moral da história é que tem gente sendo grossa com outras pessoas por causa de informações tiradas, er, do rabde livrarias (sendo que cada uma faz sua categorização, podendo inclusive incluir BL/GL em shoujosei aliás...) e afins. Sim, eu sei que demografias existem com fins mercadológicos obviamente. Eu sei que alguns autores/obras rejeitam a associação com o nicho de BL para ampliarem o público das suas obras ("eu sei, eu adoro June Novels e também No.6 eu sei bem ;_; ") e se sentirem mais confortáveis explorando ideias e temas que podem desagradar fãs de BL típicos e etc. Eu sei que alguns autores de BL se "aventuram" em outras demografias e vice-versa (ou até trocam de demografia/revista preferida para publicar etc.). Mas daí a falar que SÓ revista BL publica obras com teor BL e "sempre foi assim e sempre será" e ser grosso com quem discorda é ... bem.

É verdade que, como "BL" é usado em fanworks como um termo genérico para obras MlM com estética de bishounen e etc. , realmente me confundi inicialmente quanto ao uso da nomenclatura para mangás e desconsiderei interpretações restritivas, mas na minha cabeça pensei 1) que o uso de BL como um termo genérico é válido (gente, até "BL dorama" é um negócio hoje em dia afinal...) e 2) que existiria muito mangá que para todos os efeitos poderia ser BL publicado como não-BL e daí surgiu essa pesquisa. E daí notei que, bem, de fato existe. A recepção de parte dos fãs me parece ser bastante diferente do que é um YagaKimi da vida para os fãs de yuri ; mas não muda o fato de que existem obras com todas as características de BL publicadas em revistas shoujosei também. 

Sinceramente, só não vejo o pecado em capital ou absurdo em chamar de BL uma coisa que tem cara, cheiro e gosto de BL (pessoalmente). Se a história MlM tem cara de BL, cheiro de BL, tropes de BL, fandom de BL etc. ... então para mim (e para o público - inclusive japonês - geral) é BL ainda que não seja, assim, oficialmente BL - especialmente se o autor rejeitar a nomenclatura por preconceitozinho (saudações Yoshiki Tan--! parei kkkkkkj) ou qualquer outro motivo, geralmente de marketing (por exemplo: "quero fazer uma história não-BL!" mas o ranço tá lá evidente...) mas beleza, vamos respeitar a escolha do autor porque tem motivos. E entendo a importância de ... fazer com que as pessoas (sobretudo em países que não tem publicações - ex. revistas - BL e as demografias são menos claras...) saibam diferenciar um BL típico de uma história MlM publicada de forma diversa, porque BL típico é um nicho mercadológico bem específico e bem fechado em uns estereótipos (apesar de eu detestar muitos destes como fã e é claro que este "bem fechado" tem a ver com sexismo - não se sentir confortável consigo e/ou com os outros por admitir que se é uma mulher que gosta de BL e preferir consumir obras "não-BL" que poderiam facilmente ser BL - e a má fama das fujoshi e etc.) mas, enfim, acho que está longe de ser uma blasfêmia (como me pareceu pelas reações das pessoas anteontem, achei que tivesse xingado a mãe de alguém inadvertidamente) . Ainda que para você seja - certo, segundo você (não segundo a Chill Chill) não é BL e tudo certo. Mas é um "BL補給" ("BL fix"), é "BLっぽい" , tem relações e semelhanças com o universo do BL e negar isto me parece equivocado.   

E a própria coisa do "o que são características de BL?" é uma coisa... meio, meio. Porque obviamente não dá para falar de demografia sem falar em construções sociohistóricas (leia-se: coisas que foram mudando com o tempo) e palavras carregadas de sentidos e etc. E BL é toda uma categoria caso você não considere como "qualquer obra MlM voltada para o público feminino - fantasiosa 2D bonitinha" . Por exemplo: Loveless e Kieta Hatsukoi não são BL porque tem personagens femininas importantes? Pode ser uma visão válida, concordo até, mas existe uma penca de BL-publicado-em-revista-BL com personagens femininas quase tão importantes (que a esta altura estou com preguiça de pensar, mas: todos com irmãs que acabam alavancando o romance - ex. Jackass! OU exes dos bissexuais que demoram para resolver ficar com o protagonista - ex. Kyuusou wa Cheese no Yume wo Miru). Porque são histórias mais lentas, até enroladas? Fujoshi são conhecidas por apressarem a autora e fazerem ela cagar a história (*cof*TenCount*cof*) mas se for só isso, esqueceram de avisar a RuTile ao que parece. São os nomes dos autores? Mas tem autores que publicam com pseudônimos e autores que publicam sem pseudônimos (falando em Gakuen Heaven e pseudônimos me lembrei que hoje é um ótimo dia para saudar o rei Jun Fukuyama que fez o protagonista de Gakuen Heaven sem usar pseudônimo - fecha parênteses inútil porém importantíssimo). São finais felizes, ainda que muitos publicados em revistas BL não tenham? São uke/seme para o que o mesmo vale, são...? Enfim. 

Concluindo, reforço o que já disse antes (inclusive anos antes): para mim a demografia é apenas uma posição mercadológica e, na prática, acho que deveria ser o que menos importa ao fã brasileiro (ou fã estrangeiro em geral, exceto de locais que traduzem revistas de mangá ...) que recebe os volumes e não as revistas etc. Não que as demografias mercadológicas não digam absolutamente nada - na minha opinião, dizem principalmente da estética das histórias, e BL tem alguns estereótipos bem evidentes - mas o negócio é que tem histórias publicadas em revistas BL (de quaisquer décadas, frequentemente impopulares mas nem sempre ...) que não reforçam estes estereótipos, e tem histórias publicadas em revistas não-BL que os usam e reforçam. Sem dúvidas. 

Enfim, foi este um dos motivos da treta de anteontem. O outro foi o meu uso da palavra "fetichismo" (ranço acadêmico galera). 

Minha questão para a OP naquele tópico (sobre o uso de "yuri" ao invés de "GL" ser mais ou menos carregado ou nada a ver) foi justamente porque achei que lésbicas no Japão já teriam se revoltado a essa altura (eu, uma mulher não-lésbica vivendo a quase vinte mil quilômetros do Japão tô cansada do estado do mangá yuri na última década de tanta fetichização e chatice, imaginava elas...) mas não, parece que o pessoal lá em geral - fãs de yuri, quaisquer gêneros - está mais é celebrando a popularidade e a "ambiguidade" de gênero/categoria/demografia de YagaKimi  (pois afinal: migalhas e estaria ajudando yuri a superar barreiras [*] e o engraçado é que eu pessoalmente achei bem morno pelo que vi - saudades yuri das décadas anteriores). O termo "BL" ainda parece ser muito mais campo minado (tem quem se identifique e goste, tem quem rejeite...) e enfim, também falei disto na postagem anterior e por que rejeito isto, a coisa do "mulher consome o que homem consome mas o contrário é feio porque o mundo é machista etc." . Mas como eu só frequento lugares de BL-fans não me ligava muito nisto, rs, ignoro o resto na atualidade. Ainda assim, acho questionável como o yuri pode estar em qualquer lugar e ser qualquer coisa (e pode mesmo: MariMite, Strawberry Panic, Octave e, para não citar YagaKimi, Kashimashi, além de Otome no Teikoku e etc. ...) enquanto o BL tem mais é que estar segregado e enlatado (e aderir a estereótipos rígidos para ser BL apesar da imensa quantidade de obras ...) - e todos aplaudem e ainda por cima militam sobre como GL e BL são totalmente! diferentes! (são literalmente demografias de romance originalmente visionadas por/para mulheres......... sim, são diferentes, não opostos).  

Outra coisa interessante que acabei achando durante a pesquisa foi esta palestra com a Keiko Takemiya e a Nio Nakatani. Percebi, entre outras coisas, como (de uma forma bem engraçada) o entrevistador usa "性愛を含めた少年同士の恋愛" para se referir a Kaze to Ki no Uta e fica fazendo acrobacias em volta do termo "BL" - que segundo a própria Keiko Takemiya alguns diriam que não descreve Kaze to Ki no Uta - enquanto YagaKimi é "GL" e ponto. Ainda assim, dá para perceber como um ajudou a pavimentar a estrada do outro nas falas das autoras consagradas e, bem, se Nio Nakatani e Keiko Takemiya vêem mais semelhanças do que diferenças entre GL e BL e gostam de ambos, quem sou eu para discordar. 

Uma outra coisa bacana que achei foi esta entrevista com a Yuu Nagira (Utsukushii Kare, Love Holic) dizendo, essencialmente, que BL/GL e shoujo tem coisas em comum, como o aspecto de "sonho" e os personagens multifacetados e o final feliz; e daí, o entrevistador dizendo que "a história do romance não-BL dela é muito boa, mas aí fui ler os BL e tem a mesma complexidade!" (surpresa, querido: existe BL bacana) . Aliás, se Yuu Nagira também lia romances shoujosei/GL/BL indistintamente, porque era tudo publicado nas mesmas revistas, e gosta de todos, quem sou eu ... (em nota, esta outra entrevista também é ótima apesar de focar muito mais na publicação autoral em si do que nas categorias!)   

Enfim, na verdade pesquisei muito mais coisa mas sinto preguiça e me falta ímpeto de ficar postando tudo aqui. O meu ponto era só mesmo vomitar alguns pensamentos sobre o estado dos mangás GL e BL e a grosseria da população que frequenta comunidades virtuais aparentemente. Esta situação foi tão a gota d'água para mim (porque desinformação e calhordisse de quem gosta de coisas que odeio, tô acostumada, mas de quem gosta de coisas que amo é uma afronta...) que eu quis escrever para dar algumas liçõezinhas ("ah mas você não é melhor que ninguém" mas todo mundo pode aprender com todo mundo se estiver disposto.) ou sei lá. O meu consolo é que tudo que recebi de incompreensão na internet brasileira eu recebi de compreensão na internet japonesa e "ah, sim, entendo o que você quer dizer" ou "deixa eu te explicar por que você está errado" então tudo bem. 

O resumo desta postagem é que deixei de opinar aqui e em outros lugares da internet brasileira porque não aguento mais, de fato, o brasileiro. O nepotismo, o pensamento de massa, o nepotismo novamente, o "onde a vaca vai o boi vai atrás" e, enfim, essas coisas (leia-se: nepotismo e... deu para entender), pois falta debate que não se paute em "porque eu sou/tenho isso e aquilo", ou.... etc. Não é só o Brasil que tem passado por isso, certo, mas infelizmente parece ser mais difícil achar nichos que se salvem aqui. 

Aproveitando para dizer que sobre o fascismo em FMA eu também escrevi um comentário que nunca foi aprovado. 

Gostaria de lembrar a quem desejar saber que nunca moderei comentários e sempre procurei acolher as pessoas com opiniões divergentes e respondê-las explicando por que discordo. (Mas aparentemente nessa história inteira quem é fascista é Full Metal Alchemist e não os fãs de animangá então tá certo.) 

Felizmente, como foram poucas ocasiões em que essas coisas aconteceram neste ano (motivo: eu tenho postado pouco, se bobear foram literalmente meus únicos comentários em português neste ano. ...Além daquele em que eu pedi MDZS em português. MDZS NO BRASIL !!! :D ) eu consegui enumerar todas e falar por que estou insatisfeita e por que não sinto mais vontade de postar aqui ou em qualquer lugar da internet (em geral, mas principalmente local). Para quem gostava de ler meus textões reclamando (tipo este) eu agradeço muito! De coração. Sinto falta de ter websitezinhos (porque é disso que gosto!) e às vezes penso em voltar, mas aí acontecem estas coisas e tenho a mais absoluta certeza de que quero me isolar. 

Da sociedade até.   

Enfim, esta foi a Rahzel falando de coisas que ela detesta e coisas que adora também. Aliás, queria eu escrever tantas palavras neste tempo e fazendo esse tanto de pesquisa com pelo menos 1 dos meus 4 ship manifestos engavetados. Para isso não presto mas, para escrever postagem na força do ódio, vixe

Espero que da próxima vez em que ficar com dor na coluna de ter a bunda na cadeira por tanto tempo seja por uma causa melhor. Sei lá, faculdade (rs) .

Espero não ter sido agressiva demais ao longo desta postagem, e provavelmente fui mas espero que só na medida das agressões que recebi sem tirar e nem pôr (a misantropia dificulta esta medida mas tento).

Aproveitar para falar de alguns outros assuntos. Lançamentos da Newpop - viva!!! Tô felizonaaaaaa!!! Amandooooooo :) Vai que é tua Nakamura Ganbare Nakamura-kun é deliciosinho, os BLs da mimosa ainda não pude ler mas prometem, e não preciso nem falar de MDZS e Me Apaixonei Pela Vilã que queria muito (já mencionei hoje que virei fã de BL/GL novels?). 

Por falar em Kieta Hatsukoi, aliás, a piada aqui é que eu tinha lido 14 capítulos (fonte: meu MAL) e só lembrava do primeiro capítulo lá da borracha. Pensa num mangá que não cheirou nem fedeu para mim, rs. Daí fui ler os outros ontem de madrugada, depois da treta (porque a pessoa veio falar de Kieta Hatsukoi e eu não tinha mais que uma lembrança do nome... obrigada MAL por me lembrar dos mangás mornos que leio), lembrei um pouquinho. Então, é... bem Kiminitodokesco. Não é ruim, nem ofensivo, mas... é. Super não é BL porque falta muito feijão com arroz para chegar lá, mas enfim. Como comédia, é... bonitinho? Estou mais empolgada ultimamente, pasmem, com um shoujo (acho que não me empolgava mais com um shoujo do que com um BL desde os meus doze anos de idade, e o shoujo na ocasião era Ouran Host Club rs), Futari de Koi wo Suru Riyuu - que consiste basicamente em chutes periódicos no estômago mas, bom. O fato de eu estar mais empolgada com o desenvolvimento de um shoujo tão típico do que com qualquer BL deve dizer também um pouco do que eu acho do mercado atual ... de BL ... é. Mas sigo devorando novels velhas quando sobra tempo.

Enfim, a moral dessa postagem é um afetuoso "cês que se lasquem aí, eu vou tirar fotinho do Kaeya que eu ganho mais. flws xox" . Podia deixar algum contato aqui mas, sinceramente, vou só deixar meu "obrigada por comparecer! Leve uma boa vida e até algum outro dia quem sabe!" . E reforço que para quem não gostou o botão do X é serventia da casa #tmj .



[*] Alguns comentários sobre YagaKimi (vulgo a recepção lá):

Sim, "yuri" tem uma conotação bem específica e as pessoas parecem achar que a obra boa "transcende" yuri sem deixar de ser. Por outro lado, vi comentários semelhantes sobre BL dizendo que as obras "nem são BL" de tão boas que são - isso dito para, tipo, Narise Konohara da vida rs. Ou seja, feijoada. No fim das contas, me parece que ainda prevalece a imagem ruim e pervertida de BL - e, bem, óbvio que me incomoda o entendimento popular de que BL tem que ser "literatura menor" como se eu não tivesse lido muitos BL fantásticos publicados em revistas de BL e tal, e afinal leio BL/GL exatamente pela qualidade narrativa, mas obviamente, caso consolidem a ideia de que "se é bom demais nem é BL", posso dar adeus para mangá BL rs. E novamente, o que é feito por mulheres é ruim, o que tem mais autores homens é bom e transced*zzz* . Ah, o mundo :) Pessoalmente, já parei de ler mangá GL há muito tempo desde que o male gaze passou a predominar então... yeah. Aliás, o interessante de YagaKimi estar quebrando barreiras é que, segundo as pessoas que leram, é uma história de romance mais profunda, de vida mesmo! - que nem, hã, qualquer romance shoujosei ... enfim. Surpresa: homens também curtem romances afinal! Pessoas... são engraçadas. De jeitos tenebrosos. Tchau

5 comentários:

  1. (1/3)
    Eu tive que ler a postagem em duas vezes, não por causa do líquido roxo de ódio exalando pelo meu monitor, e sim porque foi um texto e tanto, no sentido de tamanho mesmo.
    Eu como homem pansex uau tive umas experiências bem ruins relacionadas a BL, digamos que eu comecei lendo as obras erradas, e quando eu mostrava meu descontentamento os fandoms rapidamente faziam o trabalho de martelar minhas ideias, e desde então eu passei um tempo com ranço das obras, totalmente fundamentado no meu ódio de teimosia adolescente perante membros da sociedade do qual eu divergia, mas sobre demografia e estereótipos, o brasileiro sempre tem a boca cheia para falar, "Madoka não é mahou shoujo!", "Gundam não é só mecha!", e isso inclui justamente essa ideia de que "é tão bom que supera o próprio gênero", muito próximo com o que acontece dentro da comunidade do pessoal que acompanha filme de terror, o fenômeno do "pós-horror" que nada mais é a pessoa que não gosta de horror querendo justificar o próprio gosto, acho que nesse sentido, são causas bem próximas, o individualismo moderno e como ele afeta o ego, mesmo para pessoas que tem autoestima baixa e pouca percepção para o futuro, o "parecer especial" é -alerta de redundância- especialmente importante, na minha adolescência eu já tive essa fase, e muitas das pessoas que conheço passaram por ela (e algumas nem mesmo saíram dela), e daí surge a certeza absoluta sobre tudo que gosta, porque óbvio, se você gosta de algo você automaticamente conhece cada milímetro de informação que foi gerada automaticamente o cérebro da mesma, e isso na comunidade de fãs de anime e mangá é especialmente forte, aqui as demografias importam, e importam muito, motivo: Se rotular. Sendo que, como tu mesma disse, são apenas guias mercadológicos que, no máximo, facilitam nossa busca na hora de encontrar um título novo, portanto, nenhum título e gênero tem regras tão bem definidas que não possa trespassar elas, um BL com luta deixaria de ser BL por ter luta? Dificilmente, mas para o fã médio de animes e mangás, essa obra "superaria sua demografia original, ó abençoada genialidade sem restrições de gênero", eu concordo que tem obras que sim, criam paralelos dentro do próprio gênero, mas ainda, é dentro do próprio gênero, se eu falar que mesmo que EVA tenha mudado para sempre os animes de todos os gêneros, ele ainda é um anime mecha, eu apanharia na rua, mesmo que a ideia original de EVA é justamente trazer uma outra visão das histórias de mecha (ao menos inicialmente, já que o Anno se entregou de corpo e alma ao fundo do poço para escrever EVA). O que quero dizer é: fandom é chato mesmo, não todos, não sempre, mas são.

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  2. (2/3)

    Mas mesmo meu "ranço" por BL e GL foi curado com o tempo, e até mesmo dei chance para The Mo Dao Zu Shi, e eu adorei, apesar de não ter terminado ainda por motivos maiores que eu (aka meu cérebro neurodivergente e as ocupações da vida), ainda pretendo retornar pra ler a obra, desde o começo, só não garanto que vou fazer por meios oficiais, afinal estou desempregado e vivendo de migalhas, mas até lá, quem sabe né. Mas graças a essas novels chinesas eu encontrei uma parcela de fandom muito mais sadia do que eu tinha visto até agora em relação a obras BL e GL, bastante aconchegante, que eu só não acompanho ativamente porque eu não tenho energia para tamanho esforço mental, mas que eu respeito. Não dizendo que outros fandoms de BL e GL sejam ruins, eu só não acompanho mais mesmo, tenho amigues que acompanho e conversamos sobre ocasionalmente, e não sei o porquê de estar dando tanto background pra isso, é só eu dizendo que hoje vejo que o gênero de BL e GL é muito mais diverso do que a minha cabecinha adolescente de anos atrás enxergava, a ponto de dar chance para títulos que eu torceria o nariz só de ver a demografia do qual ele estaria colocado, e reforçando que, novamente, a demografia não deveria representar o que uma obra deveria ser, isso é amarrar liberdade criativa, e sem liberdade criativa no campo dos materiais originais nós ficaríamos, aí sim, só com a mistura de sempre pra engrossar molho.
    E especialmente sobre FMA, e outros casos de obras que flertam muito com ideias complicadas, tanto antigas quanto recentes, é muito difícil entrar em qualquer diálogo sobre qualquer sentido, no momento que é apontado o problema a primeira reação é "apertar o botão de ejetar, todos passageiros sumam daqui agora mesmo", sendo que o Japão por si só tem uma sociedade moderna construída em cima de crimes de guerra que não foram discutidos propriamente, preconceitos importados do ocidente e problemas com a contemporaneidade, para alguns cidadãos flertar com características fascistoides é apenas o dia a dia deles, é complicado e merecia uma atenção? Com certeza, é desse ambiente que saiu, por exemplo, o autor de Shingeki no Kyojin, que abertamente declara reacionarismo e saudade do passado expansionista e violento japonês, mas também terão obras que, acidentalmente, vão ter características problemáticas, FMA e SnK não são únicos nisso, e nem serão os últimos, temos que entender que sociedade é uma construção complicada e não é tão simples como apontar como bem ou mal, além de isso não fazer alguém que goste da obra, automaticamente, fascistoide também, eu diria no máximo mal informada sobre características relacionadas, além de que o fenômeno de flertar com características fascistas é mundial, não só no Japão mas também na Europa, na América do Norte e até mesmo o Brasil, só considerar que este comentário está sendo escrito no dia 7 de setembro e o barulho fala por si só, além de que, eu como pessoa que acompanho o mundo dos joguinhos eletrônicos, também vejo um novo jogo imperialista problemático todos os dias.

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  3. (3/3)
    No mais, é isso que eu tinha para falar, é um pouco triste ver cada um dos pedaços da memória que eu tinha de acompanhar essa bolha de blogues ir se aposentando aos poucos, mas como pessoa que também se aposentou e agora apenas esporadicamente cospe letras na tela, entendo os motivos, não só o de cansaço para as situações de internet, mas também quanto a falta de tempo e energia só para manter o que já se fazia, mas por mais que por agora eu mesmo faça outras coisas, ainda sinto uma saudade do ambiente, mesmo que o eu da época também fosse uma das pessoas que o eu de hoje em dia não conversaria.
    E no mais, até sei lá, conversas de internet e ocasionais interações, foi maneiro acompanhar um pouco do que foi essa aventura de ódio, até mais Chelly! (e desculpa por fazer minha própria postagem no campo de comentários, e também caso eu tenha falado qualquer burrice, eu não sou expert e nada não)

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    1. Oi Gus :) Tudo bem ?? Foi enorme eu sei kkkkk.

      NOSSA, SIM, essa é a porra rs. Vivo contando que só comecei a curtir BL porque 1) gostava de Ouran e comecei a admitir ships 2) acabei gostando de Princess Princess (outro shoujo de paródia da mesma época ...) e depois 3) uma amiga foi na minha casa e literalmente confiscou meu mouse e me forçou a ver Gravitation kkk. Odiei o casal principal, gostei de 1 lesk e assim vi o resto - pela amizade, mas acabei gostando demais do lesk e o resto é história.

      Sim, é verdade, quando a pessoa tem preconceito com um gênero tende a falar que não é bem aquilo, é um modo de falar. É que no caso do BL o ranço das pessoas é tão grande (por causa até de fandom lixo e estereótipos babacas ...) que tem muita obra com jeitão de BL que não é chamada formalmente de BL - mas sem dúvidas penso que isto tem a ver, também, com o fato de BL ser muito bem entendido como "para/por meninas" no Japão e daí tem o velho ranço do "homem não lê shoujo eca, mulher lê shounen" e etc.

      Sim, é verdade, as pessoas se importam com o rótulo rs. Da minha parte acho que já fui mais eclética e passei a me fechar mais em shoujosei só para não ter que lidar com uns fandoms de moleque chato por aí. Ironicamente, meu mangá favorito era shounen antes de passar para uma revista josei (!) e meu anime favorito é Code Geass então né rs. Concordo, fandom tende a ser chato mesmo no geral. Acho que você tem toda a razão - para algumas obras que fogem dos clichês do seu gênero elas são "ohh, incríveis, fora do gênero!" mas no caso tanto YagaKimi quanto Gravitation são respectivamente SUPER GL/BL apesar de não ser a demografia - aliás, por isso que linkei várias vezes a post sobre demografia ser só uma definição mercadológica que não necessariamente diz do conteúdo ; tem obra estereotipicamente X que é vendida como Y mas é X para todos os efeitos assim como tem obra Z com características de X sem deixar de ser Z e que pode ser divulgada como X ou como X etc. (explicação horrível rs) mas a moral da história é que concordo E concordo também que isto é ótimo afinal nos dá obras mais criativas e diversificadas :)))

      Ahh, que legal!! Nossa, também tinha preconceito com livros e agora o que mais faço é ler novel rs percebi que umas obras que simplesmente adoro vieram de novels e foi assim que superei meu preconceito ... Vou torcer para você estar bem empregado até lá para poder comprar !! Estou ansiosa também ♥ ~ E VERDADE, o fandom de MDZS é bem tranquilo no geral, né. Acho que vai de sorte - eu ficava muito no Tumblr uns dez anos atrás e os fandoms de shoujosei lá eram bem tranquilos, num geral, mas ultimamente tenho achado conforto no fandom de BL de Genshin no Twitter ; e assim vai, lugares vão mudando e "fandom ideal" não existe mas tem uns melhores que outros. (e o de mangá no Brasil em geral não é dos melhores viu pqp. )

      Ah, acho que toda sociedade moderna "desenvolvida" praticamente é fundada em cima de crimes de guerra nunca cobrados KK (se não toda diria que 70%) mas o que acho engraçado é exatamente isto, com tanta série para chamar de fascista - inclusive com autores que abertamente endossam ideias assombrosas - o cara viu problema com FMA deboista RS mas meu problema não foi com ele ter visto problema com FMA mas sim com não ter liberado comentários. Tenho direito de discordar e explicar por que discordo né.

      Haha é verdade - a maioria dos que eu seguia também pararam e sempre que reparo no meu Bloglovin fico "oh :(" mas né, as pessoas se ocupam com outras coisas e nem sempre tem paciência de atualizar (especialmente considerando esse tipo de cansaço gratuito). Mas obrigadão e fico feliz que tenha se divertido com a postagem! :') Tranquilo, gosto muito de receber e responder comentários (quando tenho tempo rs, estava cheia de trabalhos atrasados no feriado - ainda estou com trabalhos atrasados mas fugi ~) ♥ Fique bem !!

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    2. Aliás, vendo agora, duas coisas que esqueci de comentar lá: uma é que antes de gostar de BL eu só lia GL e achava BL muito cheio de estereótipo "heteronormativo" - na época a gente não usava esse termo, só "forçado" mesmo, tipo, ukezinhos e semezões yaoi hands ... então entendo perfeitamente o lado de quem tem preconceito. Mas hoje algumas das minhas obras favoritas pela profundidade de emoções e situações etc. são BL e eu superei totalmente o preconceito ; e é do meu desejo que BLs possam ser mais diversificados e originais e complexos como narrativas (como são aqueles BLs que se tornaram alguns dos meus mangás / animes / livros e obras favoritas no geral !!) e não o contrário entende. E por isso que eu fico irritadíssima quando alguém vem defender que BL tem mais é que se fechar em uma caixinha tosca - porque não são assim os que eu amo :(

      E ali no quarto parágrafo eu quis dizer "como X ou como Z" ...

      (E sobre meu preconceito com livros era mais que preconceito, eu achava que odiava ler livros de romance/histórias fictícias mesmo até gostar de uns. :) )

      Enfim, obrigada de novo ♥ ~ e até mais!

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